segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O PRIMEIRO AMOR!!;


"Se você quer ser minha namorada/ Ah, que linda namorada você poderia ser..." A famosa canção de Carlos Lyra (69) e Vinicius de Moraes (1913-1980) nos faz pensar na paixão, esse acontecimento que vira nossas vidas pelo avesso, toma conta de nós e também traz alegria, criatividade, vida, enfim. Uma força que nos faz pensar que o mundo é nosso, que nos leva a escrever poesias, compor, cantar, que colore nossas vidas. Não há sentimento tão prazeroso quanto estar amando, ainda mais pela primeira vez. Se somos correspondidos, nos sentimos no nirvana, no paraíso. Quem não se lembra da sensação? É por isso que procuramos compreender nossos amigos, nossos filhos, quando eles, extasiados com essa experiência, até se esquecem da gente.

Quando nos apaixonamos, nosso amor é o centro do mundo, nada toma seu lugar em nossos pensamentos, nem trabalho, nem família ou amigos. A paixão é quase incontrolável. Até a pessoa mais racional e prática se torna um pouco obsessiva. Somos tomados por uma imensa energia, e capazes de qualquer sacrifício por nosso amado. Junto com isso, um desejo intenso de estar junto, de partilhar pensamentos, idéias. Aos amigos, falamos o tempo todo sobre o quanto somos parecidos com o nosso amor, sobre o que planejamos fazer juntos. Alguns se incomodam com a repetição do assunto, mas a maioria tolera e se diverte com a paixão do amigo. A felicidade de quem ama contagia quem está perto. Apenas um medo se faz presente: o de perder esse grande amor e, com ele, esse estado inebriante.

Vários mitos e tradições contam que "no princípio, era o paraíso". Isso pode refletir o estado paradisíaco que o bebê vive no útero materno, quando ele e a mãe são um só. Imerso na quietude, na felicidade plena, ele recebe tudo o que precisa: alimento, calor, conforto. O nascimento quebra a harmonia. Expulso do ventre, o bebê passa por tensões e sofrimento, começa a enfrentar o mundo lá fora. Ele já nasce chorando, parece que pressente o que o espera. O trauma do nascimento é muito forte.

A presença da mãe o acalma. Quando ela se afasta, vem o medo, a ansiedade. A vida toda buscamos alguém que nos dê outra vez essa sensação de completude. E é nos braços do ser amado que vivemos de novo tal delícia. Não é à toa que namorados se tratam como bebês, cheios de tatibitate. E como os bebês, que se sentem desamparados sem a mãe, também os amantes se sentem perdidos quando longe um do outro.

O primeiro amor, então, nos faz poderosos. Quanto maiores as dificuldades para realizá-lo, maior ele fica. Há experiências que provam isso, mas não precisamos de provas para falar do que todo mundo já sentiu. Além do mais, temos Romeu e Julieta, Tristão e Isolda e tantos outros amores da história e da literatura - alguns não passam de lendas, mas pouco importa - para confirmar a energia que nos traz o amor.

Quem é que pode não se lembrar das fantasias, dos sonhos, dos planos do primeiro amor? Correspondido ou não, impossível, platônico, violento ou doce, ele será sempre inesquecível. E é por isso que podemos compreender o primeiro amor dos outros. E até ficar felizes com ele.

Todos nós buscamos repetir a sensação de completude que experimentamos com nossa mãe e é no amor que realizamos esse sonho. Quando o encontramos, nada mais - trabalho, escola, família, amigos - importa. Só queremos viver aquele prazer. Quem já o conhece sabe o quanto é bom. E é por isso que pode compreender os apaixonados de primeira viagem.

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