Quando nos apaixonamos, nosso amor é o centro do mundo, nada toma seu lugar em nossos pensamentos, nem trabalho, nem família ou amigos. A paixão é quase incontrolável. Até a pessoa mais racional e prática se torna um pouco obsessiva. Somos tomados por uma imensa energia, e capazes de qualquer sacrifício por nosso amado. Junto com isso, um desejo intenso de estar junto, de partilhar pensamentos, idéias. Aos amigos, falamos o tempo todo sobre o quanto somos parecidos com o nosso amor, sobre o que planejamos fazer juntos. Alguns se incomodam com a repetição do assunto, mas a maioria tolera e se diverte com a paixão do amigo. A felicidade de quem ama contagia quem está perto. Apenas um medo se faz presente: o de perder esse grande amor e, com ele, esse estado inebriante.
Vários mitos e tradições contam que "no princípio, era o paraíso". Isso pode refletir o estado paradisíaco que o bebê vive no útero materno, quando ele e a mãe são um só. Imerso na quietude, na felicidade plena, ele recebe tudo o que precisa: alimento, calor, conforto. O nascimento quebra a harmonia. Expulso do ventre, o bebê passa por tensões e sofrimento, começa a enfrentar o mundo lá fora. Ele já nasce chorando, parece que pressente o que o espera. O trauma do nascimento é muito forte.
A presença da mãe o acalma. Quando ela se afasta, vem o medo, a ansiedade. A vida toda buscamos alguém que nos dê outra vez essa sensação de completude. E é nos braços do ser amado que vivemos de novo tal delícia. Não é à toa que namorados se tratam como bebês, cheios de tatibitate. E como os bebês, que se sentem desamparados sem a mãe, também os amantes se sentem perdidos quando longe um do outro.
O primeiro amor, então, nos faz poderosos. Quanto maiores as dificuldades para realizá-lo, maior ele fica. Há experiências que provam isso, mas não precisamos de provas para falar do que todo mundo já sentiu. Além do mais, temos Romeu e Julieta, Tristão e Isolda e tantos outros amores da história e da literatura - alguns não passam de lendas, mas pouco importa - para confirmar a energia que nos traz o amor.
Quem é que pode não se lembrar das fantasias, dos sonhos, dos planos do primeiro amor? Correspondido ou não, impossível, platônico, violento ou doce, ele será sempre inesquecível. E é por isso que podemos compreender o primeiro amor dos outros. E até ficar felizes com ele.


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